A fome já está equacionada. O problema é obesidade

Esquerda
 

A Plataforma 2018: Brasil do Amanhã debateu o tema Alimentação, no dia 13 de agosto, no auditório do Museu do Amanhã, das 18h às 21h. 

José Graziano (foto), diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) enviou um vídeo com o seu depoimento para o evento em que apontou as causas da fome e suas soluções, e mostrou sua preocupação com o crescente problema da obesidade.

Em resumo, Graziano defendeu que para combater a fome no mundo, é preciso possibilitar o acesso aos alimentos. Porém, o maior problema de alimentação enfrentado atualmente no mundo não se refere à fome, mas à obesidade. Para enfrentar a obesidade, a receita "é óbvia": voltar a uma dieta mais natural, com mais proteínas e produtos frescos, como peixes, verduras, legumes e frutas. A obesidade deve ser encarada como um problema de saúde pública, não das famílias.

O que disse Graziano:

Abaixo a transcrição dos pontos altos da fala do José Graziano para a Plataforma 2018: Brasil do Amanhã:

“Posso dizer hoje, com satisfação, que a fome é um problema equacionado, no sentido de que sabemos onde ela está localizada e suas causas fundamentais. As razões da fome são, basicamente: conflitos, guerras; os impactos da mudança climática – em especial, secas prolongadas; e a miséria. Não é um problema de falta de alimentos. O mundo tem alimentos mais que suficientes para alimentar todos de maneira adequada. E até botamos fora um terço do que produzimos.

A fome, hoje, é um problema de acesso aos alimentos, seja porque eles não estão bem distribuídos, geograficamente falando, seja porque as pessoas mais pobres não têm acesso à quantidade e à qualidade dos alimentos produzidos.

Paralelamente à fome, temos hoje uma epidemia de obesidade. É incrível o que a gente vê nas mesmas regiões, nos mesmos países, ricos e pobres, às vezes nas mesmas famílias: gente mal nutrida, que come menos do que precisa, e gente com sobrepeso ou obesa, comendo mais do que precisa.

Fome e obesidade são dois pontos de uma longa linha de comer mal. E a diferença fundamental é que, em relação à obesidade, nós não sabemos bem onde ela se localiza. Nós não temos evidências suficientes de como combatê-la. Hoje se estima que a obesidade tem um custo global de cerca de US$ 1 trilhão, sobretudo impactando os sistemas de saúde, mas também reduzindo a vida útil e a capacidade locomotora das pessoas.”

Verde