A elite que pensa a educação x a realidade

Esquerda
 

A Plataforma 2018: Brasil do Amanhã realizou na segunda-feira dia 15 de outubro, Dia dos Professores, um debate sobre Educação, no auditório do Museu do Amanhã, das 18h às 21h.

Na ocasião, Maria Beatriz Alves Meira, professora e autora de livros didáticos para a disciplina de Artes, colocou em evidência dois problemas graves da Educação no país: a desvalorização dos professores e a falta de ligação entre a elite que produz excelentes documentos programáticos e a grande massa de profissionais que está lutando todos os dias, na sala de aula, por um salário minúsculo.

Para ela, a grande dificuldade em fazer com que o "chão de fábrica", ou seja, os professores, coloquem em prática na sala de aula os documentos que norteiam a Educação no Brasil, como a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), produzidos por nossa elite educacional, está na desvalorização dos professores.

Precisamos valorizar os professores, hoje muito desprezados, começando por um salário justo. Dar dignidade ao profissional, para que ele se orgulhe do que faz e para que os jovens se sintam atraídos por essa carreira.

O que disse Maria Beatriz Alves Meira

 “A Educação é um processo lento, demorado. Ela não pode ser resolvida com atitudes, rupturas e gestos levianos. A Educação tem que ser construída. Um dos problemas maiores que eu vejo em todo o sistema educacional brasileiro é que, hoje, a gente está separada em dois grandes grupos. Tem o grupo que trabalha burocraticamente com a Educação. Tem muita gente pensando, tem ONGs, o próprio Mec, com seus programas, tem as editoras, empresas especializadas, grandes contingentes de pensadores e professores, de pessoas operando nesse nível da construção teórica de uma Educação. Do outro lado, tem o exército do chão da fábrica, que são os professores enfrentando dia a dia com os alunos nas escolas deste país, dentro de um cenário de uma diversidade absoluta.

A gente não consegue fazer com que o pensamento dessa elite que gera os documentos e que pensa a Educação chegue lá na ponta, na prática. Em parte, porque os nossos professores são extremamente mal pagos. Em um país onde os juízes ganham R$ 30 mil e os professores ganham R$ 3 mil, os professores são muito desprezados. E eles deveriam ser extremamente valorizados, porque estão lá na ponta. São as pessoas capazes de realizar a Educação, porque a Educação se dá no convívio, na interação entre as pessoas. O conhecimento se completa no ato da troca em sala de aula.

É quase uma questão do ovo e da galinha. Porque falam: ‘O professor é ruim, não tem formação, então não pode ser bem pago’. Mas porque ele não é bem pago, as pessoas menos qualificadas é que vão para o magistério hoje no Brasil. O cara prefere trabalhar de Uber do que ser professor! Aos poucos, você vai eliminando do campo da Educação as pessoas mais criativas, mais críticas, mais talentosas, mais dispostas... E a gente vê gerações de professores jovens que entram com garra e que saem chateados, com a sensação de ter fracassado, porque eles não conseguem se manter com o salário, não conseguem sequer se atualizar", relatou.

Verde